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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Preciso me encontrar

do grande mestre, Cartola.

http://www.youtube.com/watch?v=HN0_mN7fWa8&feature=player_embedded#!

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Y que vengan los veinte y seis.

E chega ao fim minha juventude. ou, antes, a primeira metade dela.

Entro na segunda faixa da população: aquela que é mais economicamente ativa; a partir de agora, dimimui o valor do seguro de automóvel para as mulheres, já que chego ao auge da minha fertilidade, e mulheres assim costumam ser mais cuidadosas.

Também significa que eu já posso usar renew da Avon, ou chronos da Natura. já é hora de morar sozinha. já deveria ler Cláudia, e espera-se que em breve eu encontre um homem também economicamente ativo, que formemos um casal, que moremos em um apartamento com um gato ou cachorro e em dois ou tês anos, arrumemos para os nossos pais os tão sonhados netos. Sou adulta, enfim.

Algo assim deveria ser o plano ou o esquema da minha vida. Mas, confesso, nada disso ainda é parte efetiva dela. exceto, talvez, o lance da fertilidade, e o fim da juventude. O mundo é hoje muito diferente daquilo que eu sonhei há dez anos. infinitamente diferente daquilo que eu planejei quando tinha quinze. Confesso que é um pouco frustrante ver que vários dos seus planos se perderam no caminho, que outros continuam os mesmos mas ainda não passam de projetos, e que outros parecem cada vez mais impossíveis, mas a chegada de um novo ano, e aquele desejo de aniversário feito no soprar das (26) velinhas, renovam as esperanças desde coraçãozinho de que alguns deles sairão dessa vez do projeto. e ver quanta coisa eu fiz no ano que se passou ajuda a dar aquele ânimo bacana pra soprar todas a velas de uma vez só.

Mas a verdade é que adoro meu aniversário. quando criança, amava  o fato de ter nascido em feriado, de ter sempre folga e de pensar que o dia era só meu. quando descobri que outras pessoas compartilhavam a data comigo, a frustração primária pela perda da exclusividade logo cedeu lugar à alegria: só tem gente legal fazendo aniversário comigo, e é assim até hoje.

então não tem muito o que falar: em pouco mais de duas horas é meu aniversário, eu estou feliz, mesmo com as bordoadas que a vida insiste em me dar, pra que eu não pense o tempo todo o quão sortuda e abençoada eu sou, e não vire uma metida (mais) insuportável, e sei que aquilo tudo que eu planejei vai demorar mais um pouquinho, mas vai chegar. porque é sempre assim, com quem pega o ônibus do cacupé: a lenda tarda, mas não falha.

domingo, 13 de março de 2011

Carta aberta ao melhor espetáculo da terra.

Para todos os amigos do Rio. Em especial, para Anita e Artur.


Qual o saldo de dez dias de carnaval?

O que será que me dá,
Que me bole por dentro, será que me dá,
Que brota à flor da pele, será que me dá,

Bem, além de uma gripe horrorosa - mais parecendo tuberculepra cancerosa (como diria mamãe) - além de uma unha quebrada no sabugo, além de alguns colares, além de leque de penas,  bonecas de barro, flor de cabelo e uma camiseta hand made que gerou comentários, além de milhares de fotografias, além de vídeos, além de tudo isso, ficou uma marca permanente.

E que me sobe às faces e me faz chorar,
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
E que não tem mais jeito de dissimular
E que não é direito ninguém recusar

Eu não acreditava em amor à primeira vista; não sei ainda se acredito; mas o fato é que algo aconteceu nesses dez dias, algo mudou pra sempre dentro de mim, e me fez uma pessoa mais feliz. Sabe quando algo bate dentro da gente, vira de lado, nos dá chutes na barriga?

E que me faz mendigo e me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita.

Esse amor, essa coisa que eu senti, sinto, sentirei, é assim, sem mais nem menos, que dá e passa, e volta e fica, e come bolo, e bebe cervejas e depois toma vinho e dá risada e se emociona nas pequenas coisas. Arrepia e faz arrepiar. Não sente culpa e não faz culpar. Isso que Anita e Artur me fizeram viver; amor de amigo, instantâneo.

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia

Algumas coisas talvez sejam grandemente pequenas demais pra escrever aqui, outras, pequenamente grandes para serem compartilhadas nessas páginas imorais, para serem maculadas em sua pureza, com descrições cansativas e insuficientes.

Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será

Não tem receita mesmo. Como poderíamos prever, Anita, Artur, que esses dez dias seriam tão incríveis? Como poderíamos prever que eu jamais me sentiria a terceira roda da moto, como poderíamos adivinhar que, tendo o Artur partido antes (para breve retorno), sentiríamos, eu e Anita, um vazio permanente, ainda que estivéssemos perfeitamente bem na companhia uma da outra?

O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

Como explicar pra todo mundo que passar a segunda feira do carnaval à luz de velas lendo poesia foi melhor do que pular loucamente no sargento pimenta? Coisa de maluco, mesmo. Coisa maravilhosamente louca.

(pausa:

Ai  que vida boa olerê, 
Ai que vida boa olara,
O estandarte do sanatório geral
Vai passar!)

E foram blocos, passeios, um cristo que teimava em não aparecer, para enfim me maravilhar na penúltima noite, e Paquetá e Parque Lage e Forte e Colombo e Saara e Dona Ivone e arcos da lapa e tour pelo centro e museu de belas artes e teatro rival e ancine e catedral-bordel e lomografia e fotografia e... e... e...

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os tremores me vêm agitar

E gentes, muitas delas. Flávia, Ronaldo, Fatih, Ruken, Alessandra, Akio, Leo, Rodrigo, Andressa... ah, eram muitos desculpem se não cito todos, mas saibam: estão todos aqui, comigo... mas, claro, não devo esquecer das queridas Cecília e Catarina, nem dos gatões Otto e Zico.

E todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar

Ficam tantas coisas por comentar... tantas ainda por sentir... tantas já sentidas... confusas, mas deliciosamente insistentes. Sonhei que estava no Rio, e, de repente, era verdade. E era ainda melhor do que eu havia sonhado.

O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Pouco resta a dizer, ainda que haja muito a falar; restam-me as fotos e o amor que ficou, e, a vocês, o meu obrigada, amigos, por terem tornado esses diazinhos alguns dos mais especiais da minha vida.

quinta-feira, 10 de março de 2011

o guardador de rebanhos

Em homenagem à noite mais memorável do carnaval 2011. Para Anita e Artur. Depois virá um com palavras minhas.


VIII
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas…
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
«Se é que ele as criou, do que duvido» —
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Do amor e outros jogos de azar

Este é um texto de fevereiro de 2010. só pra constar. o de 2011 virá logo.

Do amor e outros jogos de azar:

Jogos de azar são coisas que você entra já sabendo que vai perder. Mesmo assim arrisca, achando que, de alguma forma, não vai acontecer com você. Uma idiotice juvenil, coisa de adolescente, aquilo de "não, comigo vai ser diferente"... Deixa eu te contar uma coisa: Não, não vai ser diferente.

Vegas não existiria se a realidade não fosse uma única: a casa sempre ganha. E, tido isso como fato, há somente um outro lado da corda: se eles sempre ganham, você sempre perde.

O amor é um jogo. Já me contaram que existem dois tipos de jogos possíveis: o amor-frescobol e o amor-tênis. no primeiro, os parceiros jogam juntos, tentando fazer com que a a bola fique sem cair por mais tempo, e com isso os dois ganham. No segundo, um jogador só vence se o outro perder, então cada um joga pra si.

Honestamente, não sei o quanto acredito na existência do tal do frescobol. O amor é um jogo daquele tipo em que você aposta no preto 13, sabendo que vai dar qualquer outro número e cor na roleta, mas a excitação de pensar que o preto 13 pode vir a cair te faz jogar de novo e de novo, mesmo diante das infinitas derrotas. Volta e meia cai na sua escolha, e você acha que sua sorte vai mudar. Mas dura só um pouquinho, logo em seguida ela pula pra outra casa, outra cor, outra roleta...

É, estou desiludida. Eu criei uma cidade brilhante, iluminada, rica, com infinitas possilidades... terminei apostando num cassino qualquer, sem certeza de que o meu número 13 vai ser escolhido, com você ao meu lado me dizendo que foi uma escolha errada, da mesma forma que o foram todas as escolhas erradas que eu já fiz. Escondendo teus erros e falhas atrás dos meus. Desconsiderando que foi você quem me mandou escolher entre o 13 e o 31, esfregando em meu vestido puído a quantidade de vezes que não te ajudei na hora de apostar. Esquecendo-se que eu havia perdido tudo, e mesmo assim juntei os trocados que me restavam pra jogar numa aposta improvável, 200 pra 1. Achei que ganharia, você me disse que ganharíamos, ganhamos... ganhamos?

Estamos ambos jogando as moedas que sobraram, em cassinos distintos, destilando para a mesa os rancores que temos um do outro.

O amor é um jogo de azar. E a casa sempre ganha. Perdemos nós.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

do fundo do baú - parte 2

Abril de 1988 - Casa da Vó Marica e da Tia Rosita. O ovo, eu e a Lola
Mã, eu e Lolô
Eu bem faceira com uma boneca horrorosa que eu amava.

Deu vontade de mostrar quando eu era pequenina. bons tempos, aqueles.

sábado, 21 de agosto de 2010

Entre as ondas

O velho marinheiro que
perdeu as graças do mar
é velha caravela
sem vela
já não pode navegar

E se já perdeu
o encanto de se perder
perdeu o prumo
perder o rumo
navegar
navegar

-------

Achei esse texto hoje, escrito pelo meu próprio punho numa folha de caderno, no meio dos textos lidos na graduação. tem junto uma linha de flauta, só dizendo as notas, sem tempo sem nada, e o título diz "Música". Não lembro de ter escrito, até procurei na internet para ver se não era letra de alguma canção que eu tinha na cabeça na época. Não achei nada. Imagino que tenha sido escrito numa aula de literatura portuguesa, pela inspiração navegativa. Não sei se gosto, mas fica postado aqui como registro de uma época. A data é de 18/11/06

terça-feira, 29 de junho de 2010

Music Monday X

faz tempo que eu não posto por aqui. mas hoje é segunda, e por isso é dia de music monday.
vamos, é claro, com eles, my beloved beatles.

Two of us
Lennon/McCartney
Lançada em 1969 e composta pelo Paul para a Linda.





Two of us riding nowhere
Spending someone's
Hard earned pay
You and me Sunday driving
Not arriving
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home

Two of us sending postcards
Writing letters
On my wall
You and me burning matches
Lifting latches
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home

You and I have memories
Longer than
the road that stretches out ahead

Two of us wearing raincoats
Standing so low
In the sun
You and me chasing paper
Getting nowhere
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home

You and I have memories
Longer than the road that
stretches out ahead

Two of us wearing raincoats
Standing so low
In the sun
You and me chasing paper
Getting nowhere
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home

You and I have memories
Longer than the road that
stretches out ahead

Two of us wearing raincoats
Standing so low
In the sun
You and me chasing paper
Getting nowhere
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home
We're going home

[We're going home...
Better believe it]

sexta-feira, 25 de junho de 2010

no dia em que o sol morreu

"por entre os fios dos seus cabelos,
por entre os dedos da minha mão
passaram certezas e dúvidas..."

é, ando deixando muito a desejar, por aqui.

mas eu volto, prometo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De volta a Ervilhópolis...

eu mal pisei aqui e já percebi quatro coisas:

primeiro, como eu senti falta das minhas pessoas queridas.

segundo, essa cidade é mesmo uma ervilha, e em todo lugar que você vai existe 100% de chance de encontrar um conhecido: sim, você VAI encontrar alguém que você conhece, queira você ou não, então, num ande pagando migo ou mal-arrumada por aí, as pessoas vão notar.

terceiro: as pessoas continuam ocupadas demais comentando da sua vida pra cuidar da delas. Sim, porque é muito mais lógico que cuidem da vida allheia do que das próprias vidas. Num parece óbvio que alguém lá longe, (segundo me disseram, "lá em los angeles") vai ficar cuidando da vida de uma menina x y ou z e mandando recados ameaçadores no orkut dela, porque ela ficou com o ex dessa pessoa? Eu acho que faz super sentido... NOT! Credo, tenham mais o que fazer! a gente vai embora, EMBORA, e, quando volta, descobre que pessoas que vc nunca viu na vida ficam inventando coisas assim, a seu respeito. Dói, tá? Enche o saco, tá? Eu num sei nada e num quero saber nada, vida de ex não me diz respeito, e eu sigo a seguinte premissa: Da minha vida cuido eu, e da vida dos outros eu num quero nem saber!

quarto, e essa falarei mais detalhadamente em outra oportunidade, Santa Catarina é um estado carente. Existem muitas bandas boas aqui, mas, por se encontrar quase fora do circuito nacional, e fora do internacional, todo mundo vai à shows de covers e tributos. Uma sede sem tamanho! fui hoje no tributo a Queen (que foi bem divertido, por sinal) e vi gente gravando e batendo fotos, como se fosse o próprio Freddie Mercury renascido ali no palco da UFSC. juro, nessa hora eu ri. Antes que eu seja bombardeada com a revolta de alguém que possa se ofender com meu comentário, já digo que, apesar disso, e de ter algumas críticas ao show (em algumas músicas a afinação dos backings vocais deixou a desejar), achei muito bom, gostei mesmo e achei a iniciativa bem válida. 

Enfim, a vida ainda tá se ajeitando por aqui. Nao ando muito empolgada, podem notar. Mas acho que é muita coisa em suspenso e meu aniversário chegando. Vai ver é o inferno astral.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Here comes the sun...

Depois de muito tempo, entre chuvas e tempestades, pancadas esparsas e nublados esquisitos, eis que lá vem o sol.

No fim do dia, aos 45 do segundo tempo, ele chega, belo e formoso, pra nos mostrar que, como sempre, por mais longo e frio que tenha sido o inverno sempre há promessas de primavera. 

E quem me conhece, sabe que eu sou sempre a última a notar que a primavera está batendo à porta. E sabe que essa primavera não segue o tempo cronológico. Dessa vez ainda tenho a desculpa de dizer que estou nas estações de outro hemisfério, ainda bem.

E é incrível como o céu parece mais bonito depois de tempestades, como o ar fica mais puro e como o sol brilha mais forte, ainda que num fim de tarde sem graça de uma quarta-feira. E assim quase me despeço de São Paulo, terra-mãe minha, por fato, e preparo-me pra ver como brilhará o céu de Florianópolis, terra-mãe de direito. As cores que guardo na lembrança possivelmente não existem mais, e será bom que seja assim, pois eu não brilho mais da mesma forma. Brilharemos, ambas, de maneiras diferentes, mas, espero, compatíveis.

O que foi é "ido". Rei morto, Rei posto, and God save the Queen. Sou rainha do meu destino, e brilho lindamente sobre a tempestade que se armou. Sobrevivi, chacoalhei, me assustei e cheguei a rezar. E quis o destino que a ironia andasse sempre ao meu lado. Somos amigas, eu e ela, agora. Ironicamente, a vida tem outro sabor. Resta-me descobrir que sabor é esse. 

And I just can't wait for it.

domingo, 4 de abril de 2010

it feels good to be back home

ou quase.


Acho engraçado as pessoas falarem português na rua no rádio, na tv e nos comerciais. As ciranças falam, os adultos, os velhos e os jovens... Pode ser pedante, mas eu acho engraçado. Acho incrível que eu tenha perdido minha "língua secreta de xingar as pessoas". Ela não é mais secreta, agora é partilhada por todo e qualquer vivente que passe por mim.

Comidas que eu sentia saudade: feijoada, yakult, guaraná, pizza, carne seca, presunto fininho, bala de ovo, bomba de creme... deve ter outras, mas essas foram as coisas que eu lembrei agora.

pessoas que eu sinto saudades? muitas, várias.

but, for now: é bom estar (quase) em casa.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Maybe I'm Amazed...



... e o Paul é o melhor cantor/baixista/violonista/ukelelista /guitarrista/performer/etc/etc do mundo.

Amanhã eu escrevo pra contar como foi. Ainda to em choque, e sem palavras pra descrever. Só adianto que foi lindo demais e que sim, fui escolhida (junto com a minha amiga Ju) pelo pessoal da organização e assisti ao show NA PRIMEIRA FILA! Gente fina, elegante e sincera é outro papo. Desculpem gentes, mas hoje to me sentindo VIP demais.

Amanhã eu conto como foi chorar vendo os olhos (muito azuis) do Paul, amanhã eu conto como foi ver ele se emocionar falando do John, da Linda e do George. Amanhã eu conto como foi chorar ouvirndo Something no ukelele. Amanhã eu conto do sorriso dele. Amanhã eu conto do blackbrid, da lua gigante que tinha no palco, do globo terrestre, do telão que mostrou fotos dele, da família, dos beatles... Amanhã eu conto dos fogos que nos assustaram/encantaram. amanhã eu falo dos dois "bis". Amanhã eu conto dos nossos gritos histéricos. Amanhã eu falo como foi ser olhada pelo seu maior ídolo. Amanhã... queria que o amanhã num chegasse nunca, só pra viver eternamente no dia do show do Paul, a coisa mais incrível que já aconteceu na minha vida.

Boa noite, mundo. Boa noite, Paul.


ps. A foto do post é minha, eu tirei no show. É a minha favorita.
ps2. o setlist do show foi lindo:


1.Venus And Mars / Rock Show
2.Jet
3.All My Loving
4.Letting Go
5.Got To Get You Into My Life
6.Highway
7.Let Me Roll It / Foxey Lady
8.The Long And Winding Road
9.Nineteen Hundred And Eighty Five
10.(I Want To) Come Home
11.My Love
12.I’m Looking Through You
13.Two Of Us
14.Blackbird
15.Here Today
16.Dance Tonight
17.Mrs Vandebilt
18.Eleanor Rigby
19.Something
20.Sing The Changes
21.Band On The Run
22.Ob-La-Di, Ob-La-Da
23.Back In The USSR
24.I’ve Got A Feeling
25.Paperback Writer
26.A Day In The Life / Give Peace A Chance
27.Let It Be
28.Live And Let Die
29.Hey Jude
30.Day Tripper
31.Lady Madonna
32.Get Back
33.Yesterday
34.Helter Skelter
35.Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End

segunda-feira, 29 de março de 2010

Das despedidas

Ando sem tempo pra escrever aqui, mas é que a vida tem acontecido de verdade lá fora. Muitas coisas pra fazer, muito pra empacotar... Muitos adeus pra dizer.

Nenhuma lágrima, ainda, molhou essa face.

Mas ela há de vir.

Por enquanto, só o coração que bate ansioso pela chegada, e a garganta aperta pela partida, no melhor estilo bittersweet.

E eu sei é melhor assim. Há de ser.

Enquanto isso... Bem, me resta contar os dias, que escorrem rapidamente na ampulheta imaginária.

Fiquem bem. Eu estou bem.

terça-feira, 16 de março de 2010

Madrugada

Já não consigo dormir sem ter teu corpo ao meu lado;

Você me diz bobagens, sussurra indecências ao meu ouvido, reclama do tempo que não passa e me fala de urgência.
Concordo, impotente, e por sobre os continentes e linhas, entre os oceanos, paralelos e meridianos, chegamos à beira do abismo. A urgência se faz imediata, emergência, instantânea. Sussurros, gemidos, corpos indistintos. Nós dois a nos perdermos em nossos próprios corpos.
E dez, ou vinte, ou quarenta ou sessenta minutos depois, quando é hora de morrer, a tua voz tranquila me dá boa noite, do outro lado do mundo.

Mas o caso é que eu já não consigo dormir sem te ter ao meu lado.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As mariposas vão pousar

Ela tinha se esquecido como era bom.  Tinha esquecido o poder de renascer, de se refazer, de reinventar-se e ressugir nova, vistosa.

Tinha esquecido, logo ela, que as levava impressa na pele, sobre a nuca. Tinha esquecido das borboletas.

Esquecera-se das conversas pela madrugada; esquecera-se de como compartilhar as pequenas bobagens da vida. Esquecera-se de como era rir de coisas pequenas. Esquecera-se de como era corar ao som de uma risada. Esquecera-se de como era dizer "tenho medo", e ser protegida, acalentada.

Mas ela sabia que ele lhe mostraria. E ela, em casa enfim, se lembraria.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

transeunte

Acabo de chegar de San Francisco; Muito a dizer, milhares de sensações, me fogem as palavras. 48h de coisas re-vistas, novas vistas, novos cheiros, velhas imagens... jogo aqui apenas as coisas que me ocorrem agora, como um registro embaralhado das boas lembranças que ficam desses dois dias. as fotos virão depois.

Um exemplar da biografia do Ozzy autografado; um exemplar em inglês do "On the road", comprado na City Lights, livraria beatnik; chocolates, cartões postais, pérolas, Chás, SFMOMA, boas lembranças, boas companhias, bons cheiros, boa comida, muitas fotos, muita caminhada, milhares de risadas, cansaço gigantesco, 1600 quilômetros rodados, bondes, trens, carros, chuva, sol, música, massa com molho ragu, frio, lemonade, câimbras, sono, starbucks, walgreens, mapas, rotas, ruas, perder-se, achar-se, igreja, Alcatraz, ferri, mercado, ponte, pedágio, gasolina, ravioli de nozes, hambúrguer, vinho, água...

Quando for a San Francisco, não esqueça de usar flores nos cabelos.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Frio e calor.

Hoje foi um dia feliz. Saí de casa às sete e pouquinho da matina e fui pra big bear lake, nas montanhas. Eu e Jonas (o que poderia quase ser Eu e Eu, porque Jonas é o nome que eu teria, se fosse menino). Jonas é meu amigo amado, de quem já falei aqui antes. Ele está aqui a passeio, visitando a mulher dele que é foda e tá fazendo doutorado sanduíche-íche na UCLA. Então, Enquanto a Ju ia fazer uma viagem de estudos pra conhecer umas gravuras do Blake, nós fomos fazer turismo na parte (muito) fria da califórnia.

Chegamos (entre os precalços do caminho) à vila de Big Bear às onze e meia da manhã, e estava quente: 35 graus... farenheit. Na conversão prática, isso dá "max ou menox" "nax baiz" de 1,5 graus celsius... tá bom ou quer mais? nós queríamos mais.

Depois de comer igual a dois gordos (que evidentemente não somos) na Ihop - rolava uma promoção "all you can eat" de panquecas e os mortos de fome acharam uma boa idéia - fomos virar crianças: hora de bater todo tipo de foto na beira do lago congelado. Eu fiz um anjo na neve - nhóóóóun - e o Jonas congelou a bunda. 

Quando já estávamos bem gelados, andamos pela vila toda, entrando em lojinhas de todo tipo: de "galerias de arte" até lojas de decoração, artesanato e, lógico, presentes e roupas. Cansados dessa vida consumista, hora de brincar mais um pouco. No caminho, pausa no mercado pra comprar os famosos Whoppers, de que a Gabi tanto falou, e o Jonas estava curioso pra provar. Dica: se um dia vier aos Eua, não deixe de ir a qualquer mercado e comprar uma caixa de Whoppers. É um chocolate tão gostoso que vale cada um dos seus 191 centavos.

Daí, depois disso, foi a hora que a gente virou criança de verdade: fizemos - sim, morram de inveja, brasileiros num verão escaldante - um lindo boneco de neve! Levou um tempão, pois a gente num tinha o "nourráu", mas foi extremamente divertido. A gente ficou tão orgulhoso que num teve coragem de destruí-lo depois (o que era o plano do Jonas, não o meu, porque eu sou mulherzinha mesmo). Até fizemos uma homenagem pros nossos queridos brasileiros, e escrevemos nossa pátria usando gravetinhos.

Chegamos à hora crucial: cinco da tarde, ao pôr-do-sol: ou enfrentávamos o trânsito (medonho - amigos florianopolitanos, sabem aquele congestionamento monstro do verão, no morro da praia mole, quando começa a chover de repente? Era bem isso. Aos paulistas, era o trânsito da Dutra em volta de feriado. Aos demais, hum... não sei, não tenho mais parâmetros...) que descia as montanhas ou nos enrolávamos por lá até o trânsito passar. Escolhemos a segunda opção e fomos tomar uma sopa quentinha no Nottinhan's Taberne, que fica em frente à Robin Hood Cabin. Depois disso fomos aproveitar de tudo que a "naite" bigbearense tem a oferecer... Boliche no Red Barn Bowling! A gente se amarrou nos sapatos estilosos, na trilha sonora, na nossa ginga de jogadores profissionais e, além de tudo, no menininho figura, de 3 anos, que jogava na pista ao lado. Ele queria ir correndo pela pista, junto com a bola, pra derrubar os pinos. Disputamos 3 partidas, das quais o Jonas  ganhou a primeira (de lavada, diga-se de passagem) e eu ganhei as duas últimas, com direito à um strike. Me achei "a" jogadora.

Noite chega, e com ela é hora de enfrentar as montanhas: 4 horas de viagem, chego em casa às 11 e meia da noite, com o coração feliz. Foi um dia gostoso, maravilhoso ter um amigo tão querido perto, poder partilhar com ele um mundo diferente, e ser criança quando deu vontade, e falar da vida quando deu vontade, e rir quando deu vontade, e reclamar quando deu vontade... Um dia, em suma, de muita conversa, muitas risadas, muito frio e muito, muito calor. Daqueles de aquecer a alma.

Obrigada, Jonas.