segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O circo

Noite de espetáculo;
horas antes, a função:

todas aquelas roupas,
todas aquelas cores,
todas as maquiagens
batons,
pincéis,
sombras,
todos os grampos de cabelo
e o spray para arrematar.

Noite de espetáculo;
deixa o público entrar:

toda aquela música,
aquela dança,
aquela gente,
aquele riso (ah, as gargalhadas...)
aquelas luzes, aqueles sons.

Noite de espetáculo;
tudo, tudo em vão.

terminara a noite chorando sozinha,

como um palhaço borrado ao fim da sessão.

domingo, 5 de dezembro de 2010

corra, ... , corra.

Na ânsia de não se perder,
jogou palavras no ar
arremessou-as contra paredes,
carros,
sonhos.
pisoteou flores
que brotavam tenras
e frágeis, indefesas

tudo que esperava eram aquelas palavras,
aquele brilho que não via cruzar o outro olhar.
naquela queda de braço maldita ninguém cederia
e assim desmereciam-se.

palavras voavam mais
cada vez mais rasantes
mais ríspidas,
mais rápidas,
mais ásperas,
mais chorosas,
mais desalentadas

e, quando, enfim, veio a cartada final,
não aguentou o peso
das próprias pernas:
correu como nunca havia corrido antes.

sem jamais olhar pra trás.