do grande mestre, Cartola.
http://www.youtube.com/watch?v=HN0_mN7fWa8&feature=player_embedded#!
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
escritos, sonhos, desabafos, poemas, ficções e inspirações de uma escritora frustrada.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Preciso me encontrar
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12:37 AM
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domingo, 25 de setembro de 2011
Como sempre
Ainda sinto o cheiro de cigarro na boca, entre os dedos, preso eternamente às narinas. Aquele cigarro roubado, todas as vezes, já virou marca que nos une. Da mesma forma, o gosto amargo da cerveja bebida, a cada semana, confunde nossas cabeças e faz ver mistérios onde não há.
Você, na verdade, são vocês. A noite, em verdade, são muitas noites. E os beijos e os gostos, bem, esses são muitos também. mas vocês pensam que são únicos, e eu lhes deixo crer. Deixo viverem na fantasia de que são os maiores e que me possuem. Deixo que acreditem numa paixão desmesurada. Deixo que pensem que eu sou frágil e que suas masculinidades me podem machucar.
Assim vocês se vão enredando, perdendo o senso. E, quando tu - ou seriam vocês? - acordares, ela - ou seria eu? - não estará mais ao seu lado, evaporada com a primeira luz da manhã.
Acredita, amor, que toda mulher te pode amar. Mas assim, aviso, viverás tua perdição.
Você, na verdade, são vocês. A noite, em verdade, são muitas noites. E os beijos e os gostos, bem, esses são muitos também. mas vocês pensam que são únicos, e eu lhes deixo crer. Deixo viverem na fantasia de que são os maiores e que me possuem. Deixo que acreditem numa paixão desmesurada. Deixo que pensem que eu sou frágil e que suas masculinidades me podem machucar.
Assim vocês se vão enredando, perdendo o senso. E, quando tu - ou seriam vocês? - acordares, ela - ou seria eu? - não estará mais ao seu lado, evaporada com a primeira luz da manhã.
Acredita, amor, que toda mulher te pode amar. Mas assim, aviso, viverás tua perdição.
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3:20 AM
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Antes do amanhecer
"Na vida é assim, a gente encontra o cinismo e perde a cerveja, a decência e o copo, tudo de uma vez só."
Foi assim que ela me disse, num fim de noite num bar qualquer. Na verdade não era um bar qualquer, era um bar decente, daqueles que a gente só encontra do lado das igrejas, nos cafundós da cidade.
Ela não era bonita, e nem sabia mesmo dançar. Além disso, reclamava o tempo todo que não deveria estar ali, pois era mulher de família. Isso, entre um gole e outro de cerveja. Mas, naquela noite, ela nos tinha a todos na mão: literalmente, ela era quem pagava a bebida. E, verdade seja dita, ela até não era má companhia. Nós quatro, cheios de gana e de hormônios, queríamos muito aquela companhia, adulta e feminina, entre nós. Era possível que quem nos olhasse percebesse o brilho carniceiro que cruzava os nossos olhares, quase lascivos, quando mirávamos nossa patrona.
Mas a moça não sabia muito o que fazer, quando o fim da noite era iminente e o retorno ao lar se aproximava. Foi aí que ela se engraçou com um malandro que passava, e havia voltado a cabeça para melhor apreciar aquelas pernas dela - sim, permitam-me dizer: a danada tinha uma pernas tão compridas que pareciam capazes de abraçar o mundo.
O vagabundo tinha jeito de quem batia em mulher. E, foi ela quem nos disse, cachorro e macho a gente reconhece pela cara. Pois aquele bem tinha cara de cachorro. Macho que eu já não sei, porque dessas coisas eu passo longe. Mas o fato é que a desgraçada olhou pra ele, olhou pra nós, aqueles quatro garotos que não sabiam nem onde se enfiar quando ela falava algum palavrão - e ela falava tantos! - e não teve dúvidas: sem pensar no marido e nas quatro crianças sujas que deixava em casa, mandou dizer pro pai que não voltava mais e subiu na moto branca do infeliz. A última coisa de que me lembro foram aquelas palavras dela, seguidas das do João Filé:
"putaqueopariu, a vagabunda levou o dinheiro e deixou a conta pra pagar"
...
Alice Maria, esse era seu nome. Ninguém nunca mais ouviu falar.
.
.
domingo, 19 de junho de 2011
Dê
Dê amor
Dê paixão
Dê espera
Dê esperma
Dê prazer
Dê fogo
Dê uma nela
De carinho
De sacanagem
De sarro
De fato
Dê amor
Dê segurança
De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela
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Lamaringoni
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11:56 AM
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
I may not always love you... And I won't.
Todo fim de relacionamento parece o fim do mundo, e todo mundo sabe disso.
A gente sente que o mundo parou, abriram um buraco e arrancaram algo muito muito grande, lindo e importante de dentro do nosso peito e no lugar botaram um pedregulho que cutuca insistentemente a ferida aberta.
No começo pode ser mais fácil se a gente tem raiva do ser (outrora / ainda) amado, porque a raiva parece ajudar a esquecer tudo de bom que o outro tinha. Mas né, todo mundo sabe que depois a raiva passa e daí vem ela, a saudade. A falta, ainda que inadmissível, o cheiro que é sentido a cada esquina, o rosto que é visto em todo lugar. Sintomas da abstinência.
Nessas horas parece ser impossível acreditar que aquele amor vá passar. Daí a gente ouve música de fossa, esconde uma lagriminha aqui, chora outras várias ali. Parece que toda e qualquer novidade está pedindo pra ser compartilhada com o ex, parece que o mundo nos manda mensagens subliminares, parece que o universo espera que algum dos dois (e a gente pensa: "dois TEIMOSOS, burros, infelizes" etc, etc e tal) dê o braço a torcer e que na verdade nós fomos feitos um para o outro, como é possível deixar de amar aquele ser? Deus sabe que é impossível, que o dia que a gente deixar de se amar, não fará mais sentido a nossa existência... Ah, mas a gente saber que o amor vai passar. Só é duro acreditar que vai.
Eu, com essa minha mania de querer tudo juntoaomesmotempoagora quero abraçar o mundo, e quero que tudo fique bem pra ontem. e quero que venha vida nova com o outono, que se apressa em me contar que o inverno, a estação oficial da carência afetiva, não tarda.
E eu quero tudo pra hoje. Esquecer o velho e brindar o novo. E nessas horas fica difícil respirar. Daí parece que o cartão de crédito faz um bem... mas no fundo não faz nada. só me faz perder o sono na madrugada, quando além de lidar com amores brutos ainda tenho que fazer ginástica pra fechar o orçamento estourado em momentos de depressão. Coisa linda. Ah, e pra ajudar ainda tem o inferno astral, me contando que os 26 estão aí, que eu não tenho nada de muito concreto feito e e que meu futuro é meio piada. Fica fácil dormir, aí. E o tempo teima em desabar, como aquelas chuvas que me deixam tão deprimida. Pelo menos, penso eu numa medida de inútil consolo, os dias tem sido lindos. Ao menos isso.
Mas ai, eu sei que passa. E depois que passar eu volto a ser uma pessoa legal. tá? Me aguentem agora, amigos, porque eu to precisando mesmo ser pentelha.
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6:48 PM
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quinta-feira, 31 de março de 2011
vinte quatro horas
Correr, correr...
Me entupir de coisas pra fazer, de problemas mundanos pra resolver, de contas pra pagar. correr, correr...
anotar tudo que tem que ser feito em um caderninho, porque a cabeça já não dá conta de lembrar de tudo que precisa ser feito, hoje, ontem, amanhã... correr, correr...
Sair de casa bem cedo, voltar bem tarde, fazer de noite o almoço de amanhã, comer correndo e tentar dormir, nas poucas horas que me restam, antes de levantar e correr pra começar tudo de novo. correr, correr...
E viver esquecendo tudo. tantar lembrar mas não conseguir. a dieta diária de esquecer alguma coisa. exceto uma. mesmo esquecendo do almoço, ou do jantar, do lanche, do guarda-chuva, do sapato, do livro ou mesmo da aula que deveria ter sido dada, tem sempre uma coisa que eu não olvido. É sempre uma coisa a me martelar a cabeça.
Nessas horas eu te odeio. e como te odeio. porque não esqueço de te amar.
sábado, 19 de março de 2011
Sem Fantasia
Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
(...)
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11:09 AM
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quinta-feira, 3 de março de 2011
problema de mulherzinha
tem horas que eu queria ser macho,
mas tão macho,
que era pra poder te dar umas porradas,
mandar parar de besteira
e vir aqui cuidar de mim,
que eu to com fome e tá na hora do jantar.
mas tão macho,
que era pra poder te dar umas porradas,
mandar parar de besteira
e vir aqui cuidar de mim,
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8:44 AM
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Do amor e outros jogos de azar
Este é um texto de fevereiro de 2010. só pra constar. o de 2011 virá logo.
Do amor e outros jogos de azar:
Jogos de azar são coisas que você entra já sabendo que vai perder. Mesmo assim arrisca, achando que, de alguma forma, não vai acontecer com você. Uma idiotice juvenil, coisa de adolescente, aquilo de "não, comigo vai ser diferente"... Deixa eu te contar uma coisa: Não, não vai ser diferente.
Vegas não existiria se a realidade não fosse uma única: a casa sempre ganha. E, tido isso como fato, há somente um outro lado da corda: se eles sempre ganham, você sempre perde.
O amor é um jogo. Já me contaram que existem dois tipos de jogos possíveis: o amor-frescobol e o amor-tênis. no primeiro, os parceiros jogam juntos, tentando fazer com que a a bola fique sem cair por mais tempo, e com isso os dois ganham. No segundo, um jogador só vence se o outro perder, então cada um joga pra si.
Honestamente, não sei o quanto acredito na existência do tal do frescobol. O amor é um jogo daquele tipo em que você aposta no preto 13, sabendo que vai dar qualquer outro número e cor na roleta, mas a excitação de pensar que o preto 13 pode vir a cair te faz jogar de novo e de novo, mesmo diante das infinitas derrotas. Volta e meia cai na sua escolha, e você acha que sua sorte vai mudar. Mas dura só um pouquinho, logo em seguida ela pula pra outra casa, outra cor, outra roleta...
É, estou desiludida. Eu criei uma cidade brilhante, iluminada, rica, com infinitas possilidades... terminei apostando num cassino qualquer, sem certeza de que o meu número 13 vai ser escolhido, com você ao meu lado me dizendo que foi uma escolha errada, da mesma forma que o foram todas as escolhas erradas que eu já fiz. Escondendo teus erros e falhas atrás dos meus. Desconsiderando que foi você quem me mandou escolher entre o 13 e o 31, esfregando em meu vestido puído a quantidade de vezes que não te ajudei na hora de apostar. Esquecendo-se que eu havia perdido tudo, e mesmo assim juntei os trocados que me restavam pra jogar numa aposta improvável, 200 pra 1. Achei que ganharia, você me disse que ganharíamos, ganhamos... ganhamos?
Estamos ambos jogando as moedas que sobraram, em cassinos distintos, destilando para a mesa os rancores que temos um do outro.
O amor é um jogo de azar. E a casa sempre ganha. Perdemos nós.
Do amor e outros jogos de azar:
Jogos de azar são coisas que você entra já sabendo que vai perder. Mesmo assim arrisca, achando que, de alguma forma, não vai acontecer com você. Uma idiotice juvenil, coisa de adolescente, aquilo de "não, comigo vai ser diferente"... Deixa eu te contar uma coisa: Não, não vai ser diferente.
Vegas não existiria se a realidade não fosse uma única: a casa sempre ganha. E, tido isso como fato, há somente um outro lado da corda: se eles sempre ganham, você sempre perde.
O amor é um jogo. Já me contaram que existem dois tipos de jogos possíveis: o amor-frescobol e o amor-tênis. no primeiro, os parceiros jogam juntos, tentando fazer com que a a bola fique sem cair por mais tempo, e com isso os dois ganham. No segundo, um jogador só vence se o outro perder, então cada um joga pra si.
Honestamente, não sei o quanto acredito na existência do tal do frescobol. O amor é um jogo daquele tipo em que você aposta no preto 13, sabendo que vai dar qualquer outro número e cor na roleta, mas a excitação de pensar que o preto 13 pode vir a cair te faz jogar de novo e de novo, mesmo diante das infinitas derrotas. Volta e meia cai na sua escolha, e você acha que sua sorte vai mudar. Mas dura só um pouquinho, logo em seguida ela pula pra outra casa, outra cor, outra roleta...
É, estou desiludida. Eu criei uma cidade brilhante, iluminada, rica, com infinitas possilidades... terminei apostando num cassino qualquer, sem certeza de que o meu número 13 vai ser escolhido, com você ao meu lado me dizendo que foi uma escolha errada, da mesma forma que o foram todas as escolhas erradas que eu já fiz. Escondendo teus erros e falhas atrás dos meus. Desconsiderando que foi você quem me mandou escolher entre o 13 e o 31, esfregando em meu vestido puído a quantidade de vezes que não te ajudei na hora de apostar. Esquecendo-se que eu havia perdido tudo, e mesmo assim juntei os trocados que me restavam pra jogar numa aposta improvável, 200 pra 1. Achei que ganharia, você me disse que ganharíamos, ganhamos... ganhamos?
Estamos ambos jogando as moedas que sobraram, em cassinos distintos, destilando para a mesa os rancores que temos um do outro.
O amor é um jogo de azar. E a casa sempre ganha. Perdemos nós.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O circo
Noite de espetáculo;
horas antes, a função:
todas aquelas roupas,
todas aquelas cores,
todas as maquiagens
batons,
pincéis,
sombras,
todos os grampos de cabelo
e o spray para arrematar.
Noite de espetáculo;
deixa o público entrar:
toda aquela música,
aquela dança,
aquela gente,
aquele riso (ah, as gargalhadas...)
aquelas luzes, aqueles sons.
Noite de espetáculo;
tudo, tudo em vão.
terminara a noite chorando sozinha,
como um palhaço borrado ao fim da sessão.
horas antes, a função:
todas aquelas roupas,
todas aquelas cores,
todas as maquiagens
batons,
pincéis,
sombras,
todos os grampos de cabelo
e o spray para arrematar.
Noite de espetáculo;
deixa o público entrar:
toda aquela música,
aquela dança,
aquela gente,
aquele riso (ah, as gargalhadas...)
aquelas luzes, aqueles sons.
Noite de espetáculo;
tudo, tudo em vão.
terminara a noite chorando sozinha,
como um palhaço borrado ao fim da sessão.
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domingo, 5 de dezembro de 2010
corra, ... , corra.
Na ânsia de não se perder,
jogou palavras no ar
arremessou-as contra paredes,
carros,
sonhos.
pisoteou flores
que brotavam tenras
e frágeis, indefesas
tudo que esperava eram aquelas palavras,
aquele brilho que não via cruzar o outro olhar.
naquela queda de braço maldita ninguém cederia
e assim desmereciam-se.
palavras voavam mais
cada vez mais rasantes
mais ríspidas,
mais rápidas,
mais ásperas,
mais chorosas,
mais desalentadas
e, quando, enfim, veio a cartada final,
não aguentou o peso
das próprias pernas:
correu como nunca havia corrido antes.
sem jamais olhar pra trás.
jogou palavras no ar
arremessou-as contra paredes,
carros,
sonhos.
pisoteou flores
que brotavam tenras
e frágeis, indefesas
tudo que esperava eram aquelas palavras,
aquele brilho que não via cruzar o outro olhar.
naquela queda de braço maldita ninguém cederia
e assim desmereciam-se.
palavras voavam mais
cada vez mais rasantes
mais ríspidas,
mais rápidas,
mais ásperas,
mais chorosas,
mais desalentadas
e, quando, enfim, veio a cartada final,
não aguentou o peso
das próprias pernas:
correu como nunca havia corrido antes.
sem jamais olhar pra trás.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
ninguém sabe.
mas a verdade é que me falta qualquer coisa. qualquer coisa que ri, qualquer coisa que chora. me falta qualquer coisa de belo, de azul, de triste e de contente. me faltam palavras. me faltam coisas.
e outras me sobram. aos borbotões. desmancho-me em melancolia e saudade, em tédio e abandono. construo-me em risadas para precaver o grito histérico que quer brotar dos meus lábios.
nesses dias de sol, me pego a pensar que algumas coisas poderiam ter sido diferentes. eu só não consigo saber quais. enquanto isso, espero meu carpete de flores, que virá quando o carnaval chegar.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Eu sou dona do meu nariz
Parece óbvio, mas só hoje eu me dei conta disso.
Sou dona dele, mando e desmando, viro pra onde quiser.
Torço, quebro, arranho, dou com a cara na parede ou no chão:
o nariz é meu e se eu quiser, eu arrebento mesmo.
Não tenho que dar explicações a ninguém, e isso muito me agrada.
Eu sou dona do meu nariz e quero cuidar dele sozinha.
Sozinha, ouviu?
Sou dona dele, mando e desmando, viro pra onde quiser.
Torço, quebro, arranho, dou com a cara na parede ou no chão:
o nariz é meu e se eu quiser, eu arrebento mesmo.
Não tenho que dar explicações a ninguém, e isso muito me agrada.
Eu sou dona do meu nariz e quero cuidar dele sozinha.
Sozinha, ouviu?
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Medusa
E era como se, por onde passasse, os jardins petrificassem e o mundo brilhasse sob pálida e gélida luz.
Tudo era belo, mas não lhe pertencia.
Tudo era belo, mas não lhe pertencia.
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10:46 PM
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Solidão, que nada.
"Ganhei" essa música de presente hoje. E não é que gostei? Amigos são uma coisa boa demais, sô!
Solidão, que nada
Solidão, que nada
(Cazuza)
Cada aeroporto
É um nome num papel
Um novo rosto
Atrás do mesmo véu
Alguém me espera
É um nome num papel
Um novo rosto
Atrás do mesmo véu
Alguém me espera
E adivinha no céu
Que meu novo nome é
Um estranho que me quer
E eu quero tudo
No próximo hotel
Por mar, por terra
Ou via Embratel
Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não
É só um novo lugar
Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada
Que meu novo nome é
Um estranho que me quer
E eu quero tudo
No próximo hotel
Por mar, por terra
Ou via Embratel
Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não
É só um novo lugar
Viver é bom
Nas curvas da estrada
Solidão, que nada
Viver é bom
Partida e chegada
Solidão, que nada
![]() |
| Amigos de há muito. |
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12:40 AM
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domingo, 8 de agosto de 2010
Palavras de amor ao léu
entre os que desdenham e os que juram amor demais, eu fico com um bom samba, cachaça e saudade.
eu só queria saber direitinho por onde andarão nossos caminhos.
ou queria saber fazer joguinhos. queria não ligar. queria entender vossas cabeças.
sim, tem horas que eu queria ser homem, bêbado e sambista. maldita sociedade falocêntrica.
é que, por mais inocente que seja, ainda há alguma poesia na bebedeira dos velhos poetas.
mas tudo isso não passa de paranóia feminina, você dirá. dirão todos. direi eu, inclusive.
o que ninguém sabe, desconfio, é que bastariam poucas coisas para essa paranóia passar.
maldita tpm.
eu só queria saber direitinho por onde andarão nossos caminhos.
ou queria saber fazer joguinhos. queria não ligar. queria entender vossas cabeças.
sim, tem horas que eu queria ser homem, bêbado e sambista. maldita sociedade falocêntrica.
é que, por mais inocente que seja, ainda há alguma poesia na bebedeira dos velhos poetas.
mas tudo isso não passa de paranóia feminina, você dirá. dirão todos. direi eu, inclusive.
o que ninguém sabe, desconfio, é que bastariam poucas coisas para essa paranóia passar.
maldita tpm.
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3:34 AM
quarta-feira, 30 de junho de 2010
ninguém vai para o céu
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segunda-feira, 26 de abril de 2010
Uma breve história da vida.
Hoje eu vi o filme "500 dias com ela" (título original "500 days of Summer") no qual o jovem Tom, um romântico incurável que trabalha numa empresa de cartões comemorativos, vive 500 dias "enrolado" com uma moça, a Summer do título. (aviso, REVELAÇÕES DO ENREDO NO PARÁGRAFO ABAIXO, PULE PARA O PRÓXIMO E SIGA, NÃO FALAREI MAIS DO ENREDO NOS PARÁGRAFOS SEGUINTES)
Antes de mais nada, assistam o filme. É ótimo, e o final (tirando os últimos 3 minutos - colocados lá para que você, espectador comum de comédias românticas, não mate os diretores do filme) não é nem um pouco óbvio. É bastante o esquema "a vida como ela é", filha da puta quando você menos espera.
A melhor parte do filme se dá antes mesmo dele começar: um aviso do diretor com a tela ainda preta:
"NOTA DO AUTOR: O filme a seguir é uma ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.
Especialmente você, Jenny Beckman.
Vaca."
Juro, relendo isso, eu ri.
Mas esse post na verdade vem dizer de uma breve história da vida. Porque ela é breve mesmo, sabe? vai-se assim, num piscar de olhos.
Hoje minha família perdeu um amigo querido. Estive com ele há pouco mais de 3 semanas, em Sampaulo, e ele estava já magro e abatido, mas tinha um bom humor de fazer inveja. Três dias depois daquele jantar, descobriram mestastas do câncer que ele há muito lutava contra. Não resistiu muito mais. Faleceu na madrugada de sábado pra domingo. Sentiremos sua falta, Ciccio. Mas riremos toda vez que lembrarmos do seu humor único e do astral maravilhoso.
Aproveitem a vida, companheiros, pois (como me disse ontem o querido Jean Mafra) ela é curta.
nota: fim dos posts tristes. daqui pra frente, a gente sobe!
ah, eu sei que esse texto num fez sentido nenhum. mas eram coisas a serem ditas. obrigada pela paciência, preferência e volte sempre.
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12:55 AM
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sábado, 24 de abril de 2010
Amanhã eu escreverei...
e direi tudo aquilo que me atravessa a garganta, numa traqueostomia indesejável.
Amanhã eu escreverei, e todas aquelas palavras ruins e dolorosas serão atiradas, viajando a mais de 180 quilômetros por hora, em direção a tua cabeça, teus olhos e teu peito (nu).
Amanhã eu escreverei, e tu serás mortalmente ferido, ainda que não percebas na hora, sangrando lentamente, em morte silenciosa.
Amanhã eu escreverei, e será o início do (teu) fim.
Amanhã, quando eu escrever, chorarei o choro amargo e contido das viúvas, dignas de respeito, vendo definhar um coração outrora tão vermelho, vivo e pulsante, hoje pálido, apático e enrijecido pela dor.
Enquanto espero pelo dia de amanhã - quando eu escreverei tua sentença - em algum lugar, (talvez lá fora, na rua, ou dentro de minha cabeça - já não importa mais) um acoredon sopra uma canção melancólica. E já não consigo mais chorar por te ver partir, embora estas lágrimas estúpidas insistam em rolar por minha face e teimem em molhar meu colo.
Amanhã... Eu te mato.
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Lamaringoni
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1:48 AM
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Music Monday II
Hoje vamos de brasileira, porque ontem eu ouvi esse disco e me lembrei de como ele é bom.
De mais ninguém
(Marisa Monte)
Do disco Cor de rosa e carvão, lançado em 1994
Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.
É meu troféu, é o que restou,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor.
A sala, o quarto, a casa está vazia,
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços ela não se aninha,
A dor é minha.
É o meu lençol, é o cobertor,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
De mais ninguém
(Marisa Monte)
Do disco Cor de rosa e carvão, lançado em 1994
Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.
É meu troféu, é o que restou,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor.
A sala, o quarto, a casa está vazia,
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços ela não se aninha,
A dor é minha.
É o meu lençol, é o cobertor,
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
esquecido por
Lamaringoni
às
2:19 PM
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