Mostrando postagens com marcador necessidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador necessidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de setembro de 2011

Como sempre

Ainda sinto o cheiro de cigarro na boca, entre os dedos, preso eternamente às narinas. Aquele cigarro roubado, todas as vezes, já virou marca que nos une. Da mesma forma, o gosto amargo da cerveja bebida, a cada semana, confunde nossas cabeças e faz ver mistérios onde não há.

Você, na verdade, são vocês. A noite, em verdade, são muitas noites. E os beijos e os gostos, bem, esses são muitos também. mas vocês pensam que são únicos, e eu lhes deixo crer. Deixo viverem na fantasia de que são os maiores e que me possuem. Deixo que acreditem numa paixão desmesurada. Deixo que pensem que eu sou frágil e que suas masculinidades me podem machucar.

Assim vocês se vão enredando, perdendo o senso. E, quando tu - ou seriam vocês? - acordares, ela - ou seria eu? - não estará mais ao seu lado, evaporada com a primeira luz da manhã.

Acredita, amor, que toda mulher te pode amar. Mas assim, aviso, viverás tua perdição.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

conto de fadas.

Ah, Querida,

Se, naquele mundinho maniqueísta-em-preto-e-branco que você criou, só há lugar para vilões e mocinhos e o seu papel é sempre o de vítima, me sinto honrado por fazer o papel de vilão: eles se divertem mais no desenrolar da trama e no fim da história há sempre o lugar para o arrependimento e a redenção.

mas não se iluda: isso só funciona assim no seu folhetim, porque na vida real é bem diferente.

E na vida real eu repouso uma cabeça bem tranquila no meu travesseiro, com a certeza de que nunca cometi nada de ilegal, imoral ou que engorde.

sigo então com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, numa música bem bicho-grilo.

domingo, 19 de junho de 2011



Dê amor
Dê paixão
Dê espera
Dê esperma
Dê prazer
Dê fogo
Dê uma nela
De carinho
De sacanagem
De sarro
De fato
Dê amor
Dê segurança
De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Para fazer, continuar a fazer, sempre fazer:

sábado, 19 de março de 2011

Sem Fantasia

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
(...)



chico buarque

domingo, 13 de março de 2011

Carta aberta ao melhor espetáculo da terra.

Para todos os amigos do Rio. Em especial, para Anita e Artur.


Qual o saldo de dez dias de carnaval?

O que será que me dá,
Que me bole por dentro, será que me dá,
Que brota à flor da pele, será que me dá,

Bem, além de uma gripe horrorosa - mais parecendo tuberculepra cancerosa (como diria mamãe) - além de uma unha quebrada no sabugo, além de alguns colares, além de leque de penas,  bonecas de barro, flor de cabelo e uma camiseta hand made que gerou comentários, além de milhares de fotografias, além de vídeos, além de tudo isso, ficou uma marca permanente.

E que me sobe às faces e me faz chorar,
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
E que não tem mais jeito de dissimular
E que não é direito ninguém recusar

Eu não acreditava em amor à primeira vista; não sei ainda se acredito; mas o fato é que algo aconteceu nesses dez dias, algo mudou pra sempre dentro de mim, e me fez uma pessoa mais feliz. Sabe quando algo bate dentro da gente, vira de lado, nos dá chutes na barriga?

E que me faz mendigo e me faz implorar
O que não tem medida nem nunca terá
O que não tem remédio nem nunca terá
O que não tem receita.

Esse amor, essa coisa que eu senti, sinto, sentirei, é assim, sem mais nem menos, que dá e passa, e volta e fica, e come bolo, e bebe cervejas e depois toma vinho e dá risada e se emociona nas pequenas coisas. Arrepia e faz arrepiar. Não sente culpa e não faz culpar. Isso que Anita e Artur me fizeram viver; amor de amigo, instantâneo.

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia

Algumas coisas talvez sejam grandemente pequenas demais pra escrever aqui, outras, pequenamente grandes para serem compartilhadas nessas páginas imorais, para serem maculadas em sua pureza, com descrições cansativas e insuficientes.

Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será

Não tem receita mesmo. Como poderíamos prever, Anita, Artur, que esses dez dias seriam tão incríveis? Como poderíamos prever que eu jamais me sentiria a terceira roda da moto, como poderíamos adivinhar que, tendo o Artur partido antes (para breve retorno), sentiríamos, eu e Anita, um vazio permanente, ainda que estivéssemos perfeitamente bem na companhia uma da outra?

O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

Como explicar pra todo mundo que passar a segunda feira do carnaval à luz de velas lendo poesia foi melhor do que pular loucamente no sargento pimenta? Coisa de maluco, mesmo. Coisa maravilhosamente louca.

(pausa:

Ai  que vida boa olerê, 
Ai que vida boa olara,
O estandarte do sanatório geral
Vai passar!)

E foram blocos, passeios, um cristo que teimava em não aparecer, para enfim me maravilhar na penúltima noite, e Paquetá e Parque Lage e Forte e Colombo e Saara e Dona Ivone e arcos da lapa e tour pelo centro e museu de belas artes e teatro rival e ancine e catedral-bordel e lomografia e fotografia e... e... e...

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os tremores me vêm agitar

E gentes, muitas delas. Flávia, Ronaldo, Fatih, Ruken, Alessandra, Akio, Leo, Rodrigo, Andressa... ah, eram muitos desculpem se não cito todos, mas saibam: estão todos aqui, comigo... mas, claro, não devo esquecer das queridas Cecília e Catarina, nem dos gatões Otto e Zico.

E todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar

Ficam tantas coisas por comentar... tantas ainda por sentir... tantas já sentidas... confusas, mas deliciosamente insistentes. Sonhei que estava no Rio, e, de repente, era verdade. E era ainda melhor do que eu havia sonhado.

O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

Pouco resta a dizer, ainda que haja muito a falar; restam-me as fotos e o amor que ficou, e, a vocês, o meu obrigada, amigos, por terem tornado esses diazinhos alguns dos mais especiais da minha vida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

problema de mulherzinha

tem horas que eu queria ser macho,
mas tão macho,
que era pra poder te dar umas porradas,
mandar parar de besteira
e vir aqui cuidar de mim,
que eu to com fome e tá na hora do jantar.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tu quoque, Brute, fili mi!

até tu, Brutus?

sábado, 1 de janeiro de 2011

Das despedidas II

doismiledez foi um ano esquisito. algumas conquistas, outras perdas, nota 5 no balanço geral. não vai deixar saudade não.

doismileonze tem toda cara de que vai ser um ano legal.

mas todos os anos, quando chegam, não a tem?

é como uma criança: o que nasce vem cheio de potencial.


Resta-me torcer que esse não fique pelo caminho.


feliz doismileonze.